Finanças Corporativas

Como construir um fluxo de caixa para sua empresa, passo a passo

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20.5.2022
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8 min
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Augusto Borges

O que é o fluxo de caixa?

O fluxo de caixa é uma das principais demonstrações financeiras. Ele mostra o quanto de dinheiro foi recebido e usado em uma organização durante um determinado período; ou seja, todo o dinheiro que foi movimentado dentro da empresa.

Ele é essencial para qualquer organização, já que mantendo o controle dessa demonstração financeira (DF), você saberá o quão bem sua empresa gera o caixa para pagar suas obrigações, dívidas e despesas operacionais, e com isso conseguirá planejar melhor seus gastos e investimentos. Todo dinheiro que sai e entra faz parte do fluxo de caixa, independentemente de sua classificação, origem ou destino.

O fluxo de caixa de uma organização é de grande importância para propiciar aos usuários das demonstrações financeiras uma base para avaliar sua capacidade de geração de caixa e equivalentes.

Para que serve a DFC?

A demonstração do fluxo de caixa (DFC) auxilia principalmente na gestão financeira da empresa.

Com ela você conseguirá observar todas as entradas e saídas de caixa e comparar todas estas movimentações das operações com o lucro líquido. Essa comparação ajuda a administração da empresa e suas partes interessadas (stakeholders), a avaliar quão bem uma empresa está executando suas operações. 

A demonstração do fluxo de caixa reflete a quantidade real de dinheiro que a empresa recebe de suas operações, assim, o administrador da empresa e/ou seus diretores poderão avaliar a sua real situação financeira e estabelecer estratégias para evitar problemas futuros.

Como fazer a DFC pelo método direto?

Agora que você já sabe o que é uma DFC e sua importância para a administração financeira de uma empresa e seus investidores, vamos abordar como fazer sua estrutura:

1. Primeiramente, escolha a escala de tempo que será utilizada no seu relatório. Recomendo que isso seja feito diariamente para que você consiga antecipar a qualquer evento inesperado que ocorra na sua organização.

2. Logo após escolher a escala, você somará todos os valores que sua empresa possui ou possuía em caixa. Caso você queira fazer a DFC de períodos anteriores, para descobrir o seu saldo inicial no período escolhido.

3. Divida o seu fluxo de caixa em três atividades conforme regras definidas no CPC 03:

     a. Atividades operacionais;

     b. Atividades de investimentos;

     c. Atividades de financiamento.

A classificação por atividade proporciona informações importantíssimas aos usuários na hora de avaliar o impacto de cada uma delas sobre a posição financeira da empresa e o seu valor de caixa.

4. Você terá que registrar todas as movimentações financeiras de sua empresa em suas respectivas atividades e prazos/datas, garantindo assim que nenhum valor ficará de fora do seu relatório, ou seja, classificado incorretamente.

5. Some ou subtraia os valores de cada atividade acima com o saldo inicial para se obter o saldo final do período. Ele também será o saldo de abertura do início do próximo período.

Exemplo de Fluxo de Caixa

Estrutura da DFC

Conforme descrito no tópico anterior e na imagem acima, as principais categorias encontradas em uma demonstração de fluxo de caixa são atividades operacionais (2), atividades de investimento (3) e atividades de financiamento (4) de uma empresa e são organizadas nessa respectiva ordem.

O caixa total fornecido ou usado por cada uma das três atividades é somado para chegar à variação total de caixa do período, que é então adicionada ao saldo de caixa inicial (1)  para chegar ao resultado final da demonstração do fluxo de caixa, o saldo de caixa final (5).

Saldo Inicial

Geralmente é onde o relatório começa. O saldo inicial é obtido através da soma de todos os valores de caixa e equivalentes de caixa, que representam os saldos em caixa, bancos e aplicações financeiras de liquidez imediata, na criação da sua DF ou no início do período selecionado para análise.

Desta forma, se você começar a fazer o seu fluxo de caixa hoje, deverá colocar no saldo inicial toda a quantia que sua empresa possui em suas contas bancárias.

Atividades Operacionais

O fluxo de caixa resultante das atividades operacionais é derivado das principais atividades da empresa. Envolve recursos aplicados na produção de bens e serviços oferecidos pela empresa, no seu core business, ou suas operações cotidianas.

Essas atividades operacionais podem incluir:

⦁ Receitas de vendas de bens e serviços;

⦁ Pagamentos de salários;

⦁ Pagamentos feitos a fornecedores;

⦁ Pagamento de aluguel;

⦁ Pagamento de juros;

⦁ Pagamentos de imposto de renda;

⦁ Qualquer outro tipo de despesas financeiras.

Atividades de investimento

As atividades de investimento incluem quaisquer entradas e saídas de caixa relacionadas aos investimentos de uma empresa. Compras ou vendas de imobilizado, empréstimos feitos a partes relacionadas, aplicações financeiras ou quaisquer pagamentos relacionados a fusões e aquisições estão incluídos nessa atividade. Em suma, as mudanças em equipamentos, ativos ou investimentos estão relacionadas ao caixa do investimento.

As mudanças no caixa relacionadas as atividades de investimento geralmente são consideradas saídas, pois o dinheiro é usado para comprar novos equipamentos, imobilizados ou ativos de curto prazo, como títulos negociáveis. Mas quando uma empresa aliena um ativo, a transação é considerada uma entrada para calcular o caixa do investimento.

Atividades de financiamento

O caixa das atividades de financiamento inclui as fontes de caixa oriundas de terceiros e sócios, bem como a forma como o dinheiro é pago aos acionistas. Isso inclui quaisquer dividendos pagos, aumentos de capital, mútuo com empresas relacionadas e reembolso do principal da dívida (empréstimos) feitos pela empresa.

As variações no caixa do financiamento são entradas quando o capital é levantado e saídas quando os dividendos são pagos. Assim, se uma empresa emitir um título ao público, ela recebe financiamento em dinheiro. No entanto, quando os juros são pagos aos detentores de títulos, a empresa está reduzindo seu caixa. E lembre-se: embora os juros sejam uma despesa de saque, eles são relatados como uma atividade operacional – não como uma atividade de financiamento.

Saldo final

Finalmente, chegamos à última parte relatório: A partir do saldo inicial você somará as movimentações das três principais atividades(em amarelo na imagem) do fluxo de caixa para poder determinar o saldo final de caixa e equivalentes no fechamento do período do relatório.

A variação do caixa líquido do período é soma dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Esse valor mostra a quantidade total de dinheiro que uma empresa ganhou ou perdeu durante o período do relatório. Um fluxo de caixa positivo indica que uma empresa teve mais dinheiro entrando do que saindo, enquanto um fluxo de caixa negativo indica que ela gastou mais do que ganhou.

Como analisar a DFC

Depois de que você entendeu o que é, sua importância e como estruturar uma DFC, você irá aprender algumas maneiras de analisar o seu relatório.

Análise Vertical

O seu propósito é mostrar a participação relativa de cada item do seu fluxo de caixa em relação a determinada referência.

Análise Horizontal

O propósito dessa análise é permitir o exame da evolução histórica de cada uma das contas que compõem o seu fluxo de caixa.

Vamos dizer que você quer analisar a variação dos recebimentos operacionais de um mês para o outro. Você pegará o valor da conta no mês de abril conforme o modelo abaixo, dividirá pelo valor da conta no mês de março, depois subtrairá por 1, para assim chegar no valor da variação da conta escolhida.

Fluxo de caixa operacional/vendas líquidas ou margem do fluxo de caixa operacional

Esse índice é expresso por uma porcentagem. Ele é composto pelo fluxo de caixa operacional líquido de sua empresa dividido pelas suas vendas líquidas ou receita da demonstração de resultados. Isso nos mostra quantos Reais de caixa foram gerados para cada Real em vendas, o resultado dessa memória de cálculo, quando positiva demonstra rentabilidade, eficiência e qualidade nos lucros.

Não há uma porcentagem ideal nesse indicador, mas quanto maior a porcentagem, melhor. Você deve acompanhar historicamente o desempenho desse indicador para detectar variações significativas da relação do fluxo de caixa médio sobre as vendas da empresa, bem como a relação da empresa em comparação a seus pares. Também é essencial monitorar como o fluxo de caixa aumenta à medida que as vendas crescem, pois é importante que elas se movam numa taxa semelhante ao longo do tempo.

Conclusão

O objetivo desse artigo foi mostrar a importância de se ter um fluxo de caixa independentemente do tamanho da sua empresa, como criá-lo e analisá-lo.

Mantenha sempre atualizada as informações do seu fluxo de caixa, com as entradas e saídas de caixa do seu negócio você terá uma visão mais holística de sua saúde financeira.

Assim, você poderá antecipar os seus problemas de liquidez e resolvê-los antes que eles ocorram e otimizar suas operações para que os problemas de caixa se tornem coisa do passado. Espero que as informações contidas aqui lhe ajudem a tomar melhores decisões para o seu negócio.

Fontes e Referências

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